África do Sul amplia tratamento do HIV para reduzir mortes relacionadas à AIDS

Em 2017, a África do Sul tinha mais de 4,3 milhões de pessoas em tratamento para o HIV e 110 mil mortes relacionadas à AIDS. Ainda há um longo caminho a percorrer para acabar com a epidemia até 2030, mas a África do Sul continua ampliando rapidamente o tratamento do vírus e está determinada em reduzir as mortes anuais relacionadas à AIDS para 80 mil ou menos até 2020.

Leia a história da sul-africana Mandisa, que aparece na capa do Relatório do Dia Mundial contra a AIDS de 2018 do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) como prova viva de que o tratamento sustentado do HIV pode suprimir a carga viral e prevenir a infecção por HIV para parceiros e filhos.

Mandisa e sua família apareceram na capa do Relatório do Dia Mundial contra a AIDS de 2018 do UNAIDS como prova viva de que o tratamento sustentado do HIV pode suprimir a carga viral e prevenir a infecção por HIV para parceiros e filhos. Foto: UNAIDS

Mandisa e sua família apareceram na capa do Relatório do Dia Mundial contra a AIDS de 2018 do UNAIDS como prova viva de que o tratamento sustentado do HIV pode suprimir a carga viral e prevenir a infecção por HIV para parceiros e filhos. Foto: UNAIDS

Mandisa Dukashe estava nervosa antes de fazer um teste de HIV em 2002. Como estudante de enfermagem na África do Sul, onde mais de 4 milhões de pessoas viviam com HIV na época, ela sabia que poderia receber o resultado positivo. “Eu estava muito estressada”, diz ela. “Continuei adiando o teste por quase um mês.”

Mandisa aprendeu sobre o HIV durante seus estudos universitários, então, a equipe da clínica presumiu que ela estava bem informada e não precisava de aconselhamento antes do teste. “Eles me disseram que sou uma estudante de enfermagem e deveria saber o que isso implica.”

O resultado do teste foi positivo. Mandisa juntou-se a 510 mil outros sul-africanos recém-infectados com o HIV em 2002 — 20% de todas as novas infecções em todo o mundo.

Quando Mandisa foi diagnosticada com HIV, a África do Sul estava começando a lançar o tratamento e ela só teve acesso aos medicamentos depois de cinco anos. Na época, o acesso era muito difícil e as combinações de medicamentos limitadas eram prescritas apenas para pessoas que desenvolvessem a AIDS.

Em 2002, a África do Sul tinha mais de 4 milhões de pessoas vivendo com HIV, mas menos de 15 mil recebiam tratamento por meio de serviços de saúde públicos. Naquele ano, o país também registrou mais de 190 mil mortes relacionadas à AIDS.

Atualmente, o panorama está muito melhor.

Mandisa e sua família apareceram na capa do Relatório do Dia Mundial contra a AIDS de 2018 do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) como prova viva de que o tratamento sustentado do HIV pode suprimir a carga viral e prevenir a infecção por HIV para parceiros e filhos. “Isso pode ser feito por qualquer pessoa”, diz ela.

Em 2017, a África do Sul tinha mais de 4,3 milhões de pessoas em tratamento para o HIV e 110 mil mortes relacionadas à AIDS. Ainda há um longo caminho a percorrer no país para acabar com a epidemia até 2030. A África do Sul continua ampliando rapidamente o tratamento do vírus e está determinada em reduzir as mortes anuais relacionadas à AIDS para 80 mil ou menos até 2020.

Mandisa diz que não demorou muito para se reconciliar com o seu estado sorológico. Ela estava determinada a abraçar sua sorologia, cuidar de si mesma e espalhar o conhecimento. Ela quer alertar outros jovens para evitar a infecção, fazer o teste e buscar apoio, caso recebam o resultado positivo.

“Após o aconselhamento, senti-me tão ousada e confiante que, em uma semana, estava pronta para sair e contar para todos com a intenção de aumentar a conscientização, em particular entre as mulheres jovens e meninas.”

Mas as coisas nem sempre foram fáceis. Mandisa era casada quando foi diagnosticada. “Algumas pessoas dizem que o HIV pode aproximar as pessoas, mas isso não aconteceu.”

Ela acabou se divorciando e demorou até que encontrasse o amor novamente. “No começo, eu não queria revelar meu estado sorológico para o HIV porque sabia que poderia ser um problema, por isso, me concentrei nos estudos de enfermagem. Eventualmente, me apaixonei por um rapaz e temi que ele me rejeitasse, mas tive que contar — eu não posso viver uma mentira”.

“Levei três meses para revelar meu estado sorológico, mas, para minha surpresa, sua resposta foi muito melhor do que eu esperava. Ele continua livre do HIV e é o melhor marido e pai dos meus filhos que eu poderia pedir. Quando você tem esse tipo de apoio, pode viver de forma saudável e até esquecer o HIV.”

Apesar do amor e apoio de seu marido e família, a relevância de viver com HIV voltou a Mandisa quando ela e o marido começaram a planejar ter filhos. “Quando chegou a hora de falarmos sobre a prevenção da transmissão do HIV para nossos filhos, pensamos com cuidado, planejamos e consultamos especialistas. Isso me deixou deprimida por um tempo.”

Mas a ajuda estava disponível, ela diz. “Recebi aconselhamento, trabalhei meus sentimentos e valeu a pena. Eu agora tenho dois filhos maravilhosos que nasceram sem HIV. Era minha responsabilidade e também responsabilidade do meu marido. Recebemos excelente apoio e conselhos. Ser capaz de dar à luz a crianças livres do HIV foi uma bênção, porque acredito que, se eu não tivesse feito o teste, meus filhos poderiam ter nascido com HIV”.

Acabar com novas infecções por HIV entre crianças é uma prioridade para a África do Sul, com uma meta de eliminação virtual até 2020. Apesar de muitos anos de esforço concentrado, 13 mil crianças adquiriram o HIV de suas mães em 2017. “Me dói não poder amamentar meus bebês”, diz Mandisa. “Como eu queria muito impedir que eles fossem infectados pelo HIV, eu os alimentei com leite de fórmula, o que me deixou triste.”

Graças a melhores opções de tratamento, agora as mulheres que vivem com HIV são encorajadas a fazer o tratamento para manter sua saúde e evitar que seus filhos sejam infectados durante a gravidez, parto ou amamentação. Na África do Sul, todas as mulheres que amamentam, vivem com HIV e recebem tratamento para o vírus são encorajadas a amamentar exclusivamente até que seu bebê tenha pelo menos seis meses.

Mandisa está agora trabalhando como gerente de projetos para testagem de HIV e garantia de qualidade em pontos de atendimento. Ela também é palestrante motivacional, apoiando a demanda para o teste e tratamento do HIV, inclusive entre mulheres e seus parceiros em idade fértil.

“Eu quero encorajar todos em nossa situação: existe vida após o HIV, existe amor. As pessoas não devem pensar duas vezes antes de fazer um teste de HIV. Foi a melhor decisão que tomei e aprendi o que fazer para me manter saudável e prevenir infecções em meu cônjuge e filhos. Pensar duas vezes não vai mudar os resultados.”

“Como profissional de saúde, considero importante mostrar que estou vivendo positivamente com o HIV e administrando o vírus com sucesso. Minha experiência deve encorajar os outros a se proteger e a fazer o teste regularmente. Se você testar positivo para o HIV, inicie o tratamento e receba aconselhamento e apoio para que você possa manter-se saudável e protegido. O HIV é, infelizmente, uma realidade para milhões de pessoas, mas o tratamento funciona e somos mais fortes que o vírus.”

Finalmente, Mandisa tem uma mensagem para as mulheres jovens: “o HIV é invisível”. “Sempre use preservativo e tenha cuidado com homens mais velhos. Relacionamentos entre pessoas com idades discrepantes são um risco, especialmente para algumas jovens que crescem com desejo de ter uma figura paterna ou que vivem na pobreza. Se você depende de um parceiro mais velho e tenta agradá-lo, não conseguirá insistir em usar preservativo”, declara ela. “Eu falo por experiência, como alguém que enfrentou as mesmas pressões.”

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